quinta-feira, 22 de outubro de 2009

DOCLISBOA :: Timeless Harvest


Timeless Harvest (de Martin Verdet)

Para quem gosta de música, este filme é fundamental. Não só por tratar de aulas de música clássica numa espécie de campo de férias (numa quinta isolada perdida algures na Dinamarca), mas sim porque, o que poderia ser um simples relato das aulas, tornou-se numa declaração apaixonada ao sentido auditivo. Em primero lugar, porque o importante para o realizador não foi só a música criada na sala de aula, mas também toda a musicalidade do dia-a-dia na quinta - o som duma laranja a ser cortada, dum tractor a lavrar a terra, do vento a bater contra as janelas - tudo está presente na pauta deste filme. A acompanhar, violinos, violoncelos e muita dedicação.

Mas o que realmente impressiona é a forma como o realizador decidiu captar a relação entre alunos e professores: close-ups que nos aproximam a essa ligação estreita, planos a enquadrar os vários intervenientes por camadas - a mão que pega no arco, o olhar atento do professor, a expressão do aluno que está a tocar - numa composição que interliga a mistura entre primeiros planos e planos médios de Bergman com um tipo de realização mais típica de cinema documental. Em relação à tal expressão do aluno que está a tocar, essa é outras das grandes mais valias desta película. Através dos tiques e movimentos, o espectador transporta-se para o universo sensorial do músico e quase que consegue sentir a sua forma de sentir a música. E é essa relação estreita que conseguimos traçar com os músicos que realmente importa neste filme, e que, sendo um filme sobre música, acho que o seu objectivo não poderia ter sido melhor conseguido.

DOCLISBOA :: My Little Brother From the Moon


My Little Brother From the Moon (de Frédéric Philibert)

Curta de animação a preto e branco com um estilo muito simples mas eficaz, narrada por uma menina que explica a forma de olhar para a vida do seu irmão mais novo. Onde os médicos vêm autismo, esta menina vê uma pessoa muito especial, que apenas gosta muito de olhar para o céu. Onde os pais desesperam por uma cura, esta menina apenas quer construir uma escada até à lua para que possa estar com o seu irmão. Onde o espectador pode ver uma simpática curta, bom, vais mesmo ver uma simpática curta... com uma perspectiva diferente duma adversidade sempre actual e que ganha muito pela narração da criança, com as suas entoações muitos particulares e pueris.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

DOCLISBOA :: Videomappings


Videomappings: Aida, Palestine (de Till Roeskens)

Esta é uma obra com um conceito muito interessante: a câmara como folha em branco, como instrumento à espera de ser usado e preenchido. Passo a explicar: o filme é narrado por habitantes dum campo de refugiados perto de Belém, na Palestina, sendo esta narração a forma de contarem as suas memórias do campo, as suas vivências e relações. Ora, à medida que se vão relembrando da sua casa, da sua rua e das "tropelias" com o exército opressor, vão desenhando até reconstruir, na própria tela que nos é mostrada, essas mesmas lembranças. Como diz a sinopse , "o ecrã é uma folha de papel branca que vai sendo magicamente preenchida por linhas: uma casa, um soldado, uma bandeira, um tanque, um muro intransponível (...) passo a passo, entre um desenho e outro, descobrimos o campo de refugiados e um modo de vida". Modo de vida esse, constituído por tantos pormenores alheios à nossa realidade - uma criança a mostrar os locais de sua casa onde se pode esconder em altura de ataques ou uma mãe a lamentar-se pelo seu filho, ainda criança, comparar o muro que rodeia o campo a um túmulo (e que realidade é esta que faz uma criança de tenra idade aprender a noção de falta de liberdade a este ponto...)

DOCLISBOA :: Casa dos Mortos


Casa dos Mortos (de Débora Diniz)

Um documentário algo impressionante que explora um assunto bem delicado: como uma prisão psiquiátrica "trata" os seus doentes/reclusos, pessoas normalmente abandonadas pela sociedade e sem qualquer tipo de identificação própria ou algo a que possam chamar Casa. Apesar da realização ser algo banal e desajeitada, o maior interesse desta película está no facto de ser baseada num poema dum recluso e, por isso mesmo, apresentar uma visão mais "interior" da realizada das pessoas retratadas. Além disso, o próprio filme é narrado por esse recluso, que finaliza o filme com uma declamação em frente à camâra bastante pessoal.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

domingo, 7 de junho de 2009



Não me lembro do último filme que vi em que todos os planos eram tão minuciosamente estudados e enquadrados.

 

Este é um dos meus primeiros pensamentos ao sair da sala de cinema depois de ver o novo filme que o CinemaParaIST apoia. Chama-se “Deixa-me Entrar” (do original “Lat Den Ratte Komma In”) e é o mais peculiar filme de vampiros que conheço.

 

A história não se alonga: Oskar, um pré-adolescente tímido mas de mente retorcida (como todos nós), vítima de bulling pelos colegas de escola e com um desesperado desejo de vingança incapaz de se tornar realidade. Tudo muda quando uma rapariga da mesma idade vem morar para a vizinhança. Noite, mortes e muito sangue, tudo se conjuga na verdadeira condição da nova amiga: Eli é vampira. Mas, recuperando uma linguagem de, por exemplo, “Les Jeux Interdits” e “Aniki Bóbó”, desenrola-se aqui uma estranha mas genuina amizade, cheia de pequenos compromissos e de intensas conquistas face ao medo. Em relação ao tabu dos assassínios perpetuados por Eli (“Oskar, I do it because I have to.”) e em relação à própria aproximação entre os dois, a descoberta do amor e duma certa sensualidade inerente aos 12 anos que os personagens têm (bom, pelo menos o que é mortal). E aí reside o que de mais interessante tem o filme. Não desconsiderando as cenas de terror psicológico à lá “Shining” (estão bastante boas) nem a própria forma de realização de Tomas Alfredson (já lá vamos), o que toca e que fica retido neste filme é uma história de crescimento e de aproximação, uma amizade entre...”raças”, e a forma como cada um toma consciência da condição do outro (fica para a memória uma fantástica cena close-up em que Eli pede a Oskar para se pôr na pele dela).

 

Á parte de tudo isso, e, como me descosi logo na primeira frase, este filme é um primor de realização! Os planos surgem com um formalismo excepcional, mas ao mesmo tempo com uma naturalidade de quem faz isto há muitos anos. Tudo está bem enquadrado, movido num ritmo de degustação lenta mas não demasiado longa, e filmado com uma proximidade aos actores medida com precisão, relatando num estilo quase documental tal é a crueza das imagens, mas nunca ocupando-lhes o espaço. Faz lembrar um delicioso filme francês “Le voyage du ballon rouge”, em que o filme se transforma numa câmara que entra em casa duma família apenas para relatar passivamente o seu quotidiano, sem lhes querer impôr uma narrativa específica.

 

Finalizando, mesmo para quem não gosta de filmes de vampiros e/ou criaturas várias, vá claramente ver este filme. Porque não se trata de cinema de terror. Trata-se de cinema de qualidade.


sexta-feira, 5 de junho de 2009

Passatempo Rudo y Cursi

Agora que acabou a época de futebol, deixando-nos com os ocasionais jogos de uma selecção com poucas esperanças de apuramento, damo-vos este passatempo para que possam dizer adeus à época em grande forma.

Rudo y Cursi, de Carlos Cuarón, é um filme sobre a rivalidade de Tato e Beto no mundo do futebol.

Um filme de comédia/drama desportivo mexicano que estreia para a semana no nosso país.

Vem connosco dar o pontapé de saída, clicando aqui.