quinta-feira, 18 de junho de 2009

domingo, 7 de junho de 2009



Não me lembro do último filme que vi em que todos os planos eram tão minuciosamente estudados e enquadrados.

 

Este é um dos meus primeiros pensamentos ao sair da sala de cinema depois de ver o novo filme que o CinemaParaIST apoia. Chama-se “Deixa-me Entrar” (do original “Lat Den Ratte Komma In”) e é o mais peculiar filme de vampiros que conheço.

 

A história não se alonga: Oskar, um pré-adolescente tímido mas de mente retorcida (como todos nós), vítima de bulling pelos colegas de escola e com um desesperado desejo de vingança incapaz de se tornar realidade. Tudo muda quando uma rapariga da mesma idade vem morar para a vizinhança. Noite, mortes e muito sangue, tudo se conjuga na verdadeira condição da nova amiga: Eli é vampira. Mas, recuperando uma linguagem de, por exemplo, “Les Jeux Interdits” e “Aniki Bóbó”, desenrola-se aqui uma estranha mas genuina amizade, cheia de pequenos compromissos e de intensas conquistas face ao medo. Em relação ao tabu dos assassínios perpetuados por Eli (“Oskar, I do it because I have to.”) e em relação à própria aproximação entre os dois, a descoberta do amor e duma certa sensualidade inerente aos 12 anos que os personagens têm (bom, pelo menos o que é mortal). E aí reside o que de mais interessante tem o filme. Não desconsiderando as cenas de terror psicológico à lá “Shining” (estão bastante boas) nem a própria forma de realização de Tomas Alfredson (já lá vamos), o que toca e que fica retido neste filme é uma história de crescimento e de aproximação, uma amizade entre...”raças”, e a forma como cada um toma consciência da condição do outro (fica para a memória uma fantástica cena close-up em que Eli pede a Oskar para se pôr na pele dela).

 

Á parte de tudo isso, e, como me descosi logo na primeira frase, este filme é um primor de realização! Os planos surgem com um formalismo excepcional, mas ao mesmo tempo com uma naturalidade de quem faz isto há muitos anos. Tudo está bem enquadrado, movido num ritmo de degustação lenta mas não demasiado longa, e filmado com uma proximidade aos actores medida com precisão, relatando num estilo quase documental tal é a crueza das imagens, mas nunca ocupando-lhes o espaço. Faz lembrar um delicioso filme francês “Le voyage du ballon rouge”, em que o filme se transforma numa câmara que entra em casa duma família apenas para relatar passivamente o seu quotidiano, sem lhes querer impôr uma narrativa específica.

 

Finalizando, mesmo para quem não gosta de filmes de vampiros e/ou criaturas várias, vá claramente ver este filme. Porque não se trata de cinema de terror. Trata-se de cinema de qualidade.


sexta-feira, 5 de junho de 2009

Passatempo Rudo y Cursi

Agora que acabou a época de futebol, deixando-nos com os ocasionais jogos de uma selecção com poucas esperanças de apuramento, damo-vos este passatempo para que possam dizer adeus à época em grande forma.

Rudo y Cursi, de Carlos Cuarón, é um filme sobre a rivalidade de Tato e Beto no mundo do futebol.

Um filme de comédia/drama desportivo mexicano que estreia para a semana no nosso país.

Vem connosco dar o pontapé de saída, clicando aqui.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

IndieLisboa 2009

JCVD, de Mabrouk El Mechri


JCVD começa por nos dar um enquadramento geral da vida da personagem principal: Jean Claude Van Damme. A vida do nosso herói não é feita de guerras e lutas, pelo menos não corpo-a-corpo. Van Damme encontra-se numa situação familiar e financeira muito delicada. Ele está em tribunal pela custódia da filha e os custos que o processo acarreta não são fáceis de suportar. Devido aos problemas financeiros, Van Damme é obrigado a fazer alguns sacrifícios e isso reflecte-se no tipo de papéis que é quase obrigado a aceitar.
A acção principal do filme decorre num banco. Há um assalto que corre mal e os assaltantes barricam-se lá dentro. A polícia é alertada e começa a luta pelo resgate dos reféns. O enredo parece bastante banal, mas o facto de Van Damme estar envolvido faz com a história ganhe uma nova dinâmica.
Mais do que um filme de acção, JCVD é um filme sobre Jean Claude Van Damme. Mais precisamente, é um filme contado por Jean Claude Van Damme. Desde o início que há uma relação implícita entre a personagem e a pessoa, mas há uma cena que evidencia e transforma essa relação. Quando Van Damme "sai" do filme e fala durante alguns minutos, o que vemos torna-se explicitamente real. Já não é a personagem que fala, mas sim o actor. É uma cena muito bem conseguida, apesar da música de fundo ser profundamente irritante.
Na vertente técnica, realço os movimentos arrojados da câmara que percorrem todo o filme. A cena inicial é um bom exemplo disso. O filme começa com uma longa sequência em que Van Damme distribui pancada por dezenas de figurantes, que surgem à medida que ele percorre o cenário. Toda a cena é filmada num plano, com um enorme travelling da câmara, que acompanha o movimento do actor. É uma das melhores cenas de pancadaria que vi nos últimos tempos.
O filme estreia em Portugal dia 16 de Julho e merece uma ida ao cinema. Muito provavelmente, é o melhor filme que vi com este actor.



The Herd 
Ken Wardrop, Irlanda, 2008, 4’ 


Ken Wardrop filma, novamente, na quinta da sua família na Irlanda. Desta vez, há um intruso na quinta que, apesar de ser aparentemente inofensivo, gera uma pequena discussão entre o agricultor e a sua mãe.
É uma história muito simples, mas que, mais uma vez, nos traz imagens extremamente belas da vida campestre.
Vale a pena ver, ou rever, Useless Dog, onde Wardrop filma num estilo muito semelhante. Aqui fica o link.

The Unseen 
Pavel Medvedev, Rússia, 2007, 30’ 
Em Julho de 2006, 8 grandes potências mundiais encontraram-se em S. Petersburgo. The Unseen mostra-nos tudo, excepto a cimeira. Vemos, em vez disso, o impacto que o G8 teve no dia-a-dia da população e da cidade. Achei a ideia interessante, especialmente pelo paralelismo que é feito com a pintura The Feast Of Kings. No entanto, a curta arrasta-se demasiado tornando-se aborrecida em vários momentos.

Hot Dog 
Bill Plympton, EUA, 2008, 6’ 
Hot Dog é o terceiro título da saga Dog. Desta vez, o nosso herói junta-se aos bombeiros para tentar conquistar a estima que tanto merece. Mas, como é habitual, as coisas não correm de acordo com o que ele planeou.
É uma curta pequena, com um protagonista adorável e recheada de momentos hilariantes. Mais uma vez, um óptimo trabalho de Bill Plimpton.

Passeio de Domingo 
José Miguel Ribeiro, Portugal, 2009, 20’ 


Uma família normal faz um passeio normal, numa tarde normal de domingo, mas, desta vez, o dia acaba de maneira diferente.
Na minha opinião, esta curta está muito bem conseguida tecnicamente. Além de dar vida à família protagonista, José Miguel Ribeiro cria uma cidade em plasticina. E no meio do exagero das formas, encontramos pormenores deliciosos que nos envolvem naquele mundo.  Infelizmente, o enredo não acompanha a excelência dos cenários e acaba por se revelar pouco original e previsível.
Para quem não conhece, vale a pena ver o seu trabalho anterior, A Suspeita, que ganhou vários prémios em festivais nacionais e internacionais: 

Por este ano, penso que é tudo. Venha daí o Indie 2010!